Como anda a formação de professores de Educação Infantil? Uma pesquisa feita por mim

Olá leitores, como estão?

Então, hoje irei postar uma parte de uma pesquisa que fiz em uma escola juntamente com a professora regente da sala de aula observada de Educação Infantil desenvolvido para a disciplina de Educação Infantil I decorrente sobre como ocorre a formação de professores atuantes na Educação Infantil de uma instituição pública.
Esse artigo, proposto pela minha professora do componente curricular Educação Infantil I foi feito através de uma entrevista, tendo como objetivo a análise dos fundamentos que se baseiam no ato de ensinar, cuidar, educar e brincar da Educação Infantil por meio dos processos históricos, políticos, sociais, culturais e pedagógicos, para o reconhecimento de suas alusões e conflitos para a organização das políticas para a pequena infância, na faixa etária de 0 a 6 anos na atualidade. É uma reflexão teórica feita através da prática em relação as questões sobre a escola como espaço de aprendizagem, a compreensão do que é infância, o entendimento pedagógico e a qualidade de atendimento necessários para à criança.
Enfim, abaixo eu posto um trecho referente a formação de professores, para não ficar um texto cansativo e longo, eu postarei as outras partes depois!

Beijos e boa leitura!

Formação da professora da Educação Infantil

A professora entrevistada, D.M. tem apenas dois anos de atuação na Educação Infantil. Quando se fala da formação dela para exercer nessa área, ela diz que não teve uma formação propriamente específica na área de Educação Infantil, na época de sua graduação. Sendo assim, pode-se perceber que a professora teve uma formação na qual não complementou totalmente nessa área especifica de ensino. Em uma entrevista de Antonio Nóvoa concedida para a “Revista Nova Escola” (2011), ele respondeu que uma das causas disso é pela problemática de “uma certa incapacidade para colocar em prática concepções e modelos inovadores. As instituições ficam fechadas em si mesmas, ora por um academicismo excessivo ora por um empirismo tradicional. Ambos os desvios são criticáveis”. Essa questão se diz pela grande quantidade de matérias e que não é imbricado por completo, sempre faltando alguma coisa. Ou seja, de acordo com as autoras Damasceno e Monteiro (2007, p.27 apud Mizukami et al. 2002, p.42) as
políticas no campo da formação de professores deveriam ter alguns princípios, tais como: - Docentes como sujeitos e não como beneficiários. – Formação mais que treinamento [...] o desafio está em pensar uma formação integral, [...] orientada, fundamentalmente, àquilo que se pede que os docentes alcancem com seus alunos: aprender a pensar, a refletir criticamente, a identificar e resolver problemas, a investigar, a aprender, a ensinar. Este seria, portanto, o significado dos termos educação e formação, concebidos diferentemente de capacitação e treinamento. (2007, p.27 apud Mizukami et al. 2002, p.42)

Mas não é isso que sempre ocorre, muitas vezes passa-se algo ao aluno, mas ele não consegue assimilar como deve ser aplicado em uma prática, ou não consegue absorver por inteiro, por causa da grade curricular e as atividades que devem ser feitas, muitas vezes os prejudicando. A formação do professor deve ser dada de forma contínua, na qual está atrelado “o desenvolvimento de uma vida toda, a partir da história pessoal e profissional, em que é constituída de aspecto cultural, social e econômico. ” (DAMASCENO; MONTEIRO, 2007, p. 27).
            Desse modo, a formação do professor para atuar na Educação Infantil, de acordo com Aragão & Kreutz (2012, p. 06 apud Cunha e Carvalho 2002, p. 04)
a compreensão da tarefa da educadora de creche como uma responsável pelos cuidados básicos da criança (...) tem contribuído para o pequeno investimento na formação docente destas profissionais. Sarat (2001) completa, afirmando que o foco histórico em ações assistenciais, imprimiu a marca da discriminação e desvalorização, tanto do espaço, quanto da função. (ARAGÃO & KREUTZ, 2012, p. 06)

Ou seja, a atividade que a professora faz, é para além do cuidado, mas que exige do docente um conhecimento teórico que pode evidenciar a preocupação em serem vistas como profissionais, levantando o título de professoras, em detrimento de atendentes, recreacionistas ou educadoras, não acabe com denominações que não sejam da própria realidade do professor. O discurso quando voltada para que haja valorização profissional com base em conhecimento teórico e na afirmação de uma nomenclatura que seja própria e adequada à função do exercício ao qual se presta.
Quando perguntada a respeito das teorias de desenvolvimento e aprendizagem, que são os diversos modelos que visam explicar o processo de aprendizagem pelos indivíduos e que alicerçam a prática da professora, ela nos respondeu que o norte que ela tem é através dos PCN's,(Parâmetros Curriculares Nacionais), que alicerçam em sua prática dentro da sala de aula com brincadeiras, a ludicidade.
            A professora cita que os Parâmetros Curriculares Nacionais lhe dão uma direção para onde deve dar seu ensino da melhor forma possível, em questão das brincadeiras, o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, trata especificamente disso, quando a
oportunidade de vivenciar brincadeiras imaginativas e criadas por elas mesmas, as crianças podem acionar seus pensamentos para a resolução de problemas que lhes são importantes e significativos. Proporcionando a brincadeira, portanto, cria-se um espaço no qual as crianças podem experimentar o mundo e internalizar uma compreensão particular sobre as pessoas, sentimentos e os diversos conhecimentos. (PCN’s, 1998, vol. 1, p.28)

ou seja, é dar um espaço para que criança possa se estimular , brincando livremente com os colegas com quem e o que ela quiser, que tem como resultados significativos, construindo conhecimentos e aprendizagem enquanto brincam. Ela ainda fala das brincadeiras que utiliza como artificio também para o seu ensino, e é por meio delas que a criança projeta o desenvolvimento de sua criatividade, a sua imaginação e a interação que se tem nesse processo. De acordo com Aguiar (2010), são “por meio das brincadeiras, é possível evidenciar o nível de desenvolvimento das crianças, seus modos de ser e reagir, suas fantasias, seus desejos, seus receios, seus conflitos afetivos” (2010, p.25). E é nesse brincar que a criança que ela dá características aos seus personagens em que interpreta, relacionando com situações já vividas por elas.
            A professora D.M. também cita que também utiliza da ludicidade em suas aulas que se dá principalmente nas brincadeiras, jogos que faz na sala ou quando tem uma programação especial na escola, através das interações e explorações, pois são essenciais para que a criança possa se desenvolver. As atividades lúdicas devem fazer parte da rotina escolar na Educação Infantil, já que elas possibilitam o desenvolvimento pleno da criança, que traz à tona a socialização e afetividade, e desses pressupostos, a criança constrói o seu conhecimento de forma livre, sem amarras (AGUIAR, 2010). E a ludicidade nesse sentido, propicia a aprendizagem, pois como por exemplo, nas brincadeiras em que ela participa, ela só expõe aquilo que tem significação, o que é uma aprendizagem espontânea.
            A professora fala que a teoria construtivista alicerça a sua prática dentro da sala de aula para com seus alunos. A teoria Construtivista de acordo com o site “Só Pedagogia”, é
Inspirado nas ideias do suíço Jean Piaget (1896- 1980), o método procura instigar a curiosidade, já que o aluno é levado a encontrar as respostas a partir de seus próprios conhecimentos e de sua interação com a realidade e com os colegas. (SÓ PEDAGOGIA).

Desse modo, o Construtivismo tem como peça fundamental o aluno participando de forma presente na sua aprendizagem, por meio da experimentação, de pesquisas feitas em grupo, o estimulo para se ter questionamentos, o desenvolvimento do raciocínio. Através de sua ação, vai se estabelecendo as propriedades dos objetos e construindo as características do mundo. Aqui, a importância do erro não como uma atribulação, mas como um salto ornamental na rota da aprendizagem. É uma teoria que condena a severidade nas fórmulas de ensino, as avaliações com padrão já estabelecido e a utilização de material didático fora da realidade do aluno.
Portanto, a professora que se diz construtivista nas suas ações em sala de aula, em como enxerga as crianças e vê o que elas fazem abertamente, observa o que chama a sua atenção e propõem atividades estimulantes, para que colaborem com ideias sobre o que querem aprender, dando oportunidades para que isso aconteça. O que conforme o Referencial curricular nacional para a Educação Infantil, a criança, sujeito da sua aprendizagem edifica seus conhecimentos
[...]As crianças possuem uma natureza singular, que as caracteriza como seres que sentem e pensam o mundo de um jeito muito próprio. (...). No processo de construção do conhecimento, as crianças se utilizam das mais diferentes linguagens e exercem a capacidade que possuem de terem idéias e hipóteses originais sobre aquilo que buscam desvendar. Nessa perspectiva as crianças constroem o conhecimento a partir das interações que estabelecem com as outras pessoas e com o meio em que vivem. O conhecimento não se constitui em cópia da realidade, mas sim, fruto de um intenso trabalho de criação, significação e ressignificação. (1998, p. 21 e 22).

            Enfim, a formação do professor da Educação Infantil perpassa por diversos contextos, para que possa fortificar seu exercício como professor, sendo importante considerar que o docente quando sai do curso de licenciatura não está totalmente pronto, pois só exercendo de forma prática que ele irá entender que primeiramente a ele mesmo, como elemento também fundamental, de um “educador, inserido em determinado contexto sócio-cultural” (ARAGÃO & KREUTZ, 2012, p. 13 apud GOMES 2009, p.40). Assim, é perceber que antes de qualquer coisa, a Educação Infantil está em um âmbito que desenvolve integralmente o sujeito, dentro de um espaço educativo, onde o cuidado e a educação caminham juntos, e também se reconhecer como um profissional da educação, e não apenas um cuidador. A professora define a sua atuação dentro da sala de aula tem sempre como finalidade “É integrar, socializar a principalmente a fala” (Professora D.M.).

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